Homicídios dolosos 13 crianças são assassinadas no Estado do Ceará em um ano

Débora foi raptada a poucos metros de casa, enquanto brincava (Foto: Arquivo pessoal)
16/04/2018 às 14:47

Aos quatro anos de idade, a menina Débora Lohany de Oliveira foi vítima da violência, vingança e convicção de impunidade. A morte com requintes de crueldade que estampou o noticiário completou um ano. Em 27 de março de 2017, a menina foi raptada a poucos metros de casa, no bairro Aerolândia. No dia 7 do mês seguinte, o corpo foi encontrado. Foi na segunda data que o assassinato entrou para as estatísticas de Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLIs) da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).

Ao longo de um ano (contabilizado de março do ano passado até março de 2018), 13 crianças foram mortas no Estado do Ceará. Nos 12 meses anteriores analisados, foram contabilizados quatro CVLIs de crianças.

No caso específico de Débora, para família e populares, a Justiça está sendo feita, porque, seis dias após o achado do cadáver, o principal suspeito foi preso e permanece detido. Walderir Batista dos Santos, o ´Bracinho´, assim apelidado por ter o braço esquerdo amputado, foi capturado no Município de Parnaíba, no Piauí. Já em Fortaleza, na sede da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o suspeito confessou o crime.

De acordo com a investigação, o preso disse em depoimento que o motivo para o homicídio foi disputa de espaço entre flanelinhas na região da Aerolândia. À época, a família da vítima negou qualquer desavença com Batista. Ele foi autuado por homicídio qualificado, já que a menor não tinha condições de se defender, e ocultação de cadáver.

No inquérito, a Polícia Civil destacou que houve “horrenda atuação criminosa”. O laudo emitido pela Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) mostrou que ela foi morta com uma pedrada na cabeça. Recolhido há quase um ano no Centro de Triagem e Observação Criminológica (CTOC) de Aquiraz, a 5ª Vara do Júri decidiu, no início de 2018, que Walderir Batista deve ir a júri popular. A sentença de pronúncia foi proferida no dia 19 de janeiro deste ano.

Ainda em janeiro, no dia 25, a defesa do réu recorreu da decisão. Em 1º de março, o pedido foi negado pela juíza Valência Maria Alves de Sousa Aquino. Dias depois, o interno foi informado da negação. A data do júri do réu ainda não foi marcada.

A reportagem tentou entrar em contato com familiares de Débora a fim de entender o que mudou na rotina dos parentes, após a morte da menina. Daniele dos Santos, mãe da criança, optou por não conceder entrevista.

Evandro Araújo, tio da garota, disse que após o crime não quis mais na Aerolândia: “eu e minha esposa nos afastamos do local. Mas as lembranças ficaram com a gente”, disse.

Outros casos

O ano de 2017 registrou outros casos de homicídios que vitimaram crianças. Ainda em abril do ano passado, a Secretaria da Segurança Pública contabilizou outros três homicídios dolosos contra pessoas abaixo dos 12 anos.

Além de Débora, em abril de 2017 também foram mortos Vitor Gabriel Silva da Costa, Dhemilly Naylane Machado Morais e Thayla Rodrigues Maciel Paz, esta última, de 8 anos de idade, assassinada a tiros, no bairro Jardim Iracema.

Na noite de 12 de junho, o menino de três anos de idade, Gabriel de Sousa Moura, foi uma das cinco vítimas da Chacina de Horizonte. De acordo com testemunhas, o garoto estava acompanhado da mãe em um bar, quando foram surpreendidos por homens fortemente armados. Disputa por tráfico de drogas teria motivado a ação.

Em setembro, outro menino foi morto em um bar. Kauã de Assis estava no estabelecimento em Jaguaribe quando foi atingido por um tiro. Chegou a ser socorrido, mas morreu na unidade de saúde. Um homem, o alvo dos suspeitos que efetuaram os disparos, também morreu.

Outro fato envolvendo crianças que repercutiu no meio policial foi o incêndio que resultou nos homicídios de três irmãos.

Francisco Erik Rodrigues de Sousa, 5; Maria das Graças Rodrigues de Sousa, 8; e Natália Rodrigues de Sousa, 10; morreram com a mãe. O caso foi registrado na casa da família, no Município de Ipueiras, no dia 4 de dezembro de 2017.

A motivação seria discussão entre os pais dos menores. Francisco Clóvis Camelo, principal suspeito pela atrocidade, foi preso nas horas seguintes.

Fonte: Diário do Nordeste