Matheus Linard; conservador de direita, gay e autêntico provocador virtual no Cariri

08/01/2019 às 15:36

Quando o ainda estudante de direito Matheus Linard interagia no grupo de Facebook da Universidade Federal do Cariri (UFCA) e postava textos com ideias liberais na economia, se sentia como se sua voz ecoasse em uma sala, sozinho. Contrário às ideias de esquerda, conservador, gay e avesso à militância LGBT, recebia diversas criticas e protagonizava embates virtuais fervorosos.

Foi assim, que em 2014, o barbalhense Gilberto Matheus Linard Rocha Junior (27), começou a se tornar figura carimbada e conhecida no debate político da região do Cariri. Em um tom provocativo e irônico, expunha os contrapontos em discussões na internet e quase sempre rendia comentários fora dela. “Você viu aquela briga de Matheus ontem no grupo?”, era uma conversa constante no cafezinho da universidade, por exemplo.

Quem sou
Apesar de fazer barulho na UFCA, foi na Universidade Regional do Cariri (URCA), em Crato, que Linard se formou em Direito. Tentou a OAB por quatro vezes – apesar de dizer ser contra a Ordem, a quem chama de grande sindicato. Hoje se mantêm prestando consultorias e diz não sentir falta da carteirinha de membro.

A militância começou com as greves na Urca há cerca de cinco anos. Avesso ao modo como professores aderiram à paralisação – segundo ele, viajando à passeio em plena greve -, montou um grupo organizado na internet, o “Luta sim, greve não”, responsável por ir contra ao movimento paredista na forma como era apresentado. “A greve começava no [Campus] Pimenta e terminava no Pimenta”, relembra.

Foi assim que passou a ser formada a identidade política de quem até então não conseguia se definir. “Eu só sabia que era contra o PT, contra os sindicatos”, reconhece. A conversa com Matheus aconteceu durante uma tarde de dezembro em um café no shopping e a entrevista foi interrompida pelo menos três vezes por pessoas a cumprimentá-lo.

MBL e medo
A popularidade de Linard foi alçada após ser convidado para coordenar o Movimento Brasil Livre (MBL) no Cariri. A missão, segundo diz, era descentralizar os membros do grupo e pulverizar ações cujo conservadorismo de direita seriam o norte, em uma região onde a esquerda e especificamente o PT mantêm latente protagonismo.

Como coordenador do MBL, costuma gravar vídeos principalmente questionando o prefeito de Juazeiro do Norte, Arnon Bezerra (PTB). Entre as críticas estão questões relacionadas à Saúde e suposto nepotismo. Quando ele e demais membros foram chamados a conversar pessoalmente com o prefeito, preferiram não ir, por medo..

Sobre as pretensões do MBL de se tornar um partido político, diz achar natural mas prefere que a mudança não ocorra. A cúpula do movimento ter sido eleita (Kim Kataguiri Fernando Holiday e Arthur do Val, do Democratas) também não o incomoda.

Ele faz uma crítica aos veículos de imprensa regional, aos quais acusa de receber dinheiro em troca de não divulgar desmandos das administrações públicas da região. Quanto a isso, poupa o Miséria e argumenta que não acompanha o site

Na Rede, no Instagram
Alto e de cabelo à lá surfista dos anos 90, Matheus Linard aparenta certa insegurança e raramente conversa olho no olho. Demonstra quase sempre ter plena consciência das respostas, mas não disfarça quando precisa pensar antes de falar.

No instagram, faz postagens provocativas que vão desde assuntos políticos até respostas do que aparentam ser flertes de seguidores, passando por uma pose à beira da piscina, sem camisa contra o pôr do sol.

Em uma das sequência de stories, o militante aparece com um megafone junto a um pequeno grupo gritando palavras de ordem contra o ministro do STF, Marco Aurélio Mello, que em 19 de dezembro determinou a soltura de presos em 2ª instância, o que deixaria o ex-presidente Lula em liberdade.

Ovelha negra
“Fiz muitos inimigos, mas também muitos amigos”. A discordância, por exemplo, como o modo que a militância LGBT defende a causa é uma das críticas de Matheus.

Gay, de direita, liberal e conservador, ele diz que os gays do movimento não respeitam as decisões individuais dos membros destes grupos, e por isso há tempos é taxado como homofóbico, ou biscoiteiro (uma gíria para quem deseja a atenção de homens héteros).

É a ovelha negra da família. Apenas a mãe compartilha das visões e ideologias políticas do filho. Os tios são petistas e uma tia é grata aos avanços sociais do governo Lula. Ao contrário do que fazia já em 2014, hoje ele evita falar no grupo da família no WhatsApp.

É 17!
Ele se orgulha no dia em que do alto de um trio elétrico fez um discurso com um megafone em defesa de Bolsonaro, em quem votou no segundo turno das Eleições 2018. “Foi bem inflamado, você viu?”, pergunta. Sobre o presidente eleito, diz que não é com certeza o mais preparado, mas por não ser do PT, foi em quem votou.

Hoje filiado ao Partido Novo, o ex-membro do PSDB Juazeiro do Norte diz que pretende se candidatar a vereador pelo município em 2020. “Não é fácil, o Novo não se coliga e é contra privilégios”. Para isso, fará um curso de capacitação, não se sente preparado.

Por Felipe Azevedo/Agência Miséria
Miséria.com.br

 





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