River insiste em final no seu estádio; Boca quer título no tribunal

28/11/2018 às 7:43

O presidente do River Plate, Rodolfo D’Onofrio, disse nesta terça-feira, 27, que a partida de volta da final da Libertadores de 2018, contra o rival Boca Juniors, tem de ser disputada no estádio Monumental de Nuñez com torcida local, como estava previsto, e revelou ter o apoio do líder do governo argentino, Mauricio Macri. O Boca, por sua vez, entrou com recurso no Tribunal Disciplinar da Conmebol para que seja decretado campeão sem jogar.

“O River tem uma posição: temos que jogar na nossa casa. E mais: uma pessoa muito, muito próxima ao presidente da nação me informou que ele tinha o interesse de que o jogo tivesse sido disputado no domingo”, declarou o dirigente à emissora de rádio argentina La Red.

“Macri também quer e pretende que a partida seja disputada no campo do River e disse que vai haver toda a segurança para que isso aconteça”, completou D’Onofrio.

Após empate em 2 a 2 no primeiro jogo, em La Bombonera, a volta da decisão da Libertadores deveria ter sido realizada no último sábado, no Monumental de Nuñez. Entretanto, torcedores do River apedrejaram o ônibus que levava a delegação do Boca para o estádio e feriram alguns jogadores. O superclássico chegou a ser remarcado para domingo, mas acabou suspenso.

O presidente da Conmebol, o paraguaio Alejandro Domínguez, anunciou esta terça, depois de se reunir com D’Onofrio e o mandatário do Boca Juniors, Daniel Angelici, que o jogo de volta acontecerá em 8 ou 9 de dezembro e fora da Argentina.

“Percebi Domínguez duro em sua decisão, mas acredito que quando vir o G20 se dará conta que podemos organizar a partida”, argumentou o presidente do River, em referência à Cúpula do G20, que será realizada em Buenos Aires na sexta-feira e no sábado próximos.

D’Onofrio lembrou que o Boca pôde jogar em casa com o apoio de sua torcida e considera que seria injusto o River não fazer o mesmo. Para decisão do torneio continental, por motivos de segurança, optou-se pela presença apenas de torcida local. “Aqui há 66.000 pessoas que compraram ingresso, e há uma vantagem esportiva. Por que vão tirá-la de nós?”

Por fim, D’Onofrio reclamou da postura de Domínguez, que quer levar a partida para outra cidade, e principalmente do presidente do Boca, que entrou com recurso para tentar impedir a decisão em campo.

“Angelici me diz que tem um compromisso com os seus sócios. Para mim, está claro, é preciso disputar o jogo. Não é nossa culpa, o que falhou foi o sistema de segurança. A mudança de opinião de Angelici me surpreendeu, porque houve acordo com ele e Domínguez para que o jogo acontecesse. Fiquei surpreso que da noite para o dia pediu a desclassificação do River.”

Lembrança de 2015 e posição do Boca

O presidente do Boca Juniors, Daniel Angelici, disse nesta tarde que não está nos planos do clube um segundo jogo e, em tom ameaçador, não descartou a possibilidade de entrar com recurso na Corte Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em inglês), em Lausanne, na Suíça.

“Não está na nossa cabeça jogar mais uma final. O Boca vai esgotar todas as instâncias administrativas e, se tivermos que ir ao CAS, faremos isso”, disse Angelici, durante entrevista coletiva em Luque. Já desde o sábado, atletas como Darío Benedetto e Carlos Tevez ironizavam uma suposta proteção da Conmebol ao River e recordaram a desclassificação do time, em situação semelhante, nas oitavas de final de 2015.

Na ocasião, os rivais de Buenos Aires empatavam em 0 a 0 na Bombonera, depois de uma vitória de 1 a 0 do River no Monumental. Na volta para o intervalo, um torcedor do Boca atirou gás de pimenta contra os atletas rivais, no túnel de acesso ao campo. Os atletas do River tiveram a visão afetada e se negaram a voltar ao gramado.

O jogo não terminou e a Conmebol declarou vitória ao clube “millionario“, que se sagraria campeão. O Boca acredita que o episódio de 2018 se enquadraria no mesmo artigo e, por isso, busca a vitória nos tribunais.

Fonte: Veja





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