Vídeo sobre Carnaval divide aliados de Bolsonaro e atiça a oposição

A deputada estadual eleita Janaina Paschoal e o deputado federal Delegado Waldir: visões diferentes sobre vídeo polêmico (Foto: Reprodução)
07/03/2019 às 8:55

A Quarta-Feira de Cinzas foi marcada pela divisão da classe política em relação às mensagens publicadas no Twitter por Jair Bolsonaro (PSL) – a principal delas trazia um vídeo com cenas obscenas entre dois homens em um bloco carnavalesco e foi usada pelo presidente para criticar o Carnaval. Em outra, ele perguntou aos seguidores o que é golden shower, a prática sexual registrada na gravação, que consiste em urinar no parceiro.

A oposição está unida na crítica a Bolsonaro. O deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) afirmou que irá entrar com uma representação contra o presidente por pornografia. A hashtag #ImpeachmentBolsonaro chegou ao primeiro lugar dos assuntos mais comentados do Twitter.

De outro lado, governistas divididos entre a defesa da postura do presidente, com o foco na condenação do ato obsceno realizado em público e a crítica a um uso que consideram indevido das redes sociais. Pertencente ao segundo grupo, a deputada estadual eleita Janaina Paschoal (PSL-SP) afirmou a VEJA que Bolsonaro “precisa entender que ele, agora, fala pela nação e que o que ele compartilha e escreve é visto pelo mundo”. “Eu até entendo que os excessos do Carnaval preocupam, mas o presidente poderia ter externado sua preocupação de outra forma”, completou.

Uma das autoras do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, Janaina alerta que Bolsonaro “se cerca de pessoas que não falam a verdade para ele”, mas considera exagerado quem defende uma cassação do presidente, baseada em uma eventual quebra de decoro. “Curioso ver o pessoal que insiste ser golpe um impeachment alicerçado em fraudes gravíssimas querer afastar o presidente por um tuíte”, afirmou. Ela também considera que, como estavam “performando em público”, os exibidos pelo vídeo não tiveram as intimidades afetadas por Bolsonaro.

No Congresso, parlamentares do PSL e de legendas aliadas adotam posições divergentes. Líder do partido do presidente na Câmara, Delegado Waldir (GO) disse a VEJA que a “Constituição prevê a liberdade de expressão e ninguém vai censurar” Bolsonaro e que o chefe do Planalto está apenas seguindo seu plano de governo. “Esse é o primeiro Carnaval da gestão Bolsonaro. O que se vê no vídeo é herança da esquerda. Daqui a quatro anos, veremos o legado do governo”.

Líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann (PSL-SP) se pronunciou, concentrando sua fala também em ataque à esquerda. “Esquerda lacradora pirou com a divulgação do vídeo por Jair Bolsonaro, mas NÃO deu um pio sobre a situação promíscua, sobre o ato libidinoso – portanto criminoso – feito a céu aberto […]. É só a esquerda sendo esquerda, cada vez mais hipócrita”, escreveu pelas redes sociais.

Mesma posição teve a deputada Carla Zambelli (PSL-SP). “Se Bolsonaro tivesse receio de chamar o errado de errado e de expor cada crime e obscenidade praticados pela esquerda, ele não teria sido eleito presidente da República”, disse a ativista, conhecida por liderar o movimento Nas Ruas. Assessor especial do presidente para assuntos internacionais, Filipe Martins comparou o chefe ao americano Theodore Roosevelt, definindo a Presidência como “uma posição pública que permite falar com clareza e com força sobre qualquer problema”.

Por outro lado, parlamentares como Kim Kataguiri (DEM-SP) e Vinicius Poit (Novo-SP) criticaram a publicação. Líder do Movimento Brasil Livre (MBL), Kataguiri classificou como “abjeta” a atitude dos foliões, mas disse, no Twitter, que a postagem “é incompatível com a postura de um presidente, ainda mais de direita”.

Poit, por sua vez, também reprovou tanto o conteúdo da gravação quanto o compartilhamento por Bolsonaro, e manifestou preocupação com a falta de mensagens sobre a reforma da Previdência. “Existem outras coisas mais importantes para o presidente compartilhar. Eu estou diariamente publicando sobre a necessidade de uma Nova Previdência, mas Bolsonaro também precisa se manifestar sobre isso”, disse o deputado do Novo a VEJA. “Ele tem uma repercussão muito grande nas redes. Como vou explicar para os meus pais e para a minha avó o que é golden shower?”, criticou.

Do outro lado, parlamentares à esquerda saíram em defesa das festividades do Carnaval, compartilhando registros positivos sobre a festa. Líder da oposição na Câmara, Alessandro Molon (PSB-RJ) reproduziu registros de blocos que ajudaram crianças a reencontrar os pais, pedidos de casamento e acessibilidade à deficientes físicos.

Mesmo tom foi o do governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), que compartilhou um vídeo de duas cadeirantes dançando na festa do estado. “Enquanto pessoas sem noção do cargo que ocupam se dedicam a difamar a maior festa popular do Brasil, faço questão de mostrar o que buscamos com o Carnaval do Maranhão. Beleza e preocupação com a justiça social”, disse, nas redes sociais.

Em outra manifestação em seu perfil oficial, o deputado José Guimarães (PT-CE) ressaltou a preocupação com a repercussão internacional da publicação do presidente Jair Bolsonaro. “Hoje o mundo deveria estar discutindo a apuração das vencedoras dos desfiles das escolas de samba do RJ, como sempre acontecia na Quarta-Feira de Cinzas. Hoje qual é o assunto mais comentado no mundo? Os tuítes pornográficos de Bolsonaro. Uma vergonha para nosso país!”, criticou.

Fonte: Veja





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